Miss Nothing
Extravasar escrevendo um texto é a melhor forma pra não pirar, de verdade. As vezes as pequenas coisas vão se acumulando e cansando e cansando até você não conseguir seguir em frente mais. Cada conversa esta sendo como ”usar gasolina pra apagar um fogo” e termina sempre da pior maneira possível, sendo que na verdade não era bem pra ser assim. Não é saudável, sabe? Não é bom pra ninguém e se forçar demais acaba como esta agora: um em cada lado tentando disfarçar com um ”Ta tudo bem, vai passar logo. É só fase” e meio que criando um molde de uma máscara pra representar a felicidade que cada vez mais se distancia. Talvez não seja só fase sabia? Talvez tenhamos que repensar os conceitos de ambos e dividir o peso igualmente na balança, sem sobrecarregar ninguém e conseguir por caminhar rumo a um futuro juntos, porque é disso que se trata um relacionamento. De pensar junto. De querer junto. De sentir, de amar, de dividir, de se alegrar, de ser. Duas partes de um quebra cabeça que juntos formam um só. E é assim que tem que ser. É assim que temos que ser. UM SÓ. Sem egoísmo, desconfiança, orgulho, palavras ditas em ocasiões erradas, sendo que no fim isso só afunda ao invés de ajudar. Temos que ser assim. Um só. Eu e você. Hoje. Agora. E sempre.
Sabe, eu sou dessas que da muito importância as palavras. Tem aquelas carinhosas, que só de lembrar já te tiram um sorriso bobo e te faz lembrar daquela pessoa especial. Tem aquelas que fazem um som engraçado mas não é todo mundo que sabe falar daquela forma que te faz cair de tanto dar risada. Só ele(a) sabe fazer isso. Tem palavras criadas especialmente pra aquele momento em que você bate o dedinho na beirada do armário, ou quando você esta andando feliz da vida na rua e de repente pisa numa poça de lama enorme. E nesse mesmo grupo de palavras existem aquelas que você diz pra alguém sem pensar nas consequências. Aquelas que magoam mais do que daquela vez em que roubaram seu lanche na escolinha e você descobre que foi um amiguinho seu. Aquelas que tiram uma lágrima raivosa depois seguido de um nó na garganta que te deixa sem reação. E foi bem com uma dessas que me deparei hoje virando aquela rua. Eu sei que deveria ter passado pelo caminho de sempre mas acho que a reforma não tinha acabado ainda. Então passei por lá. E a vi toda raivosa praguejando até a última geração do planeta. E eu tive que passar bem do lado dela. E passei. E quando passei ela olhou bem nos meus olhos e eu desejei sair correndo naquele momento. Me senti tão mal que minhas pernas pouco me aguentavam. E foi assim que conseguir juntar o resto de forças que tinha sobrado e mudei de calçada, de rua, de bairro e de cidade tentando não cruzar mais com essa maldita. E agora eu ando com essa amargura no peito. Acho que é doença. Porém pode ser por causa daquele olhar. O olhar da palavra que me deixou sem chão(…)
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