Sabe, eu sou dessas que da muito importância as palavras. Tem aquelas carinhosas, que só de lembrar já te tiram um sorriso bobo e te faz lembrar daquela pessoa especial. Tem aquelas que fazem um som engraçado mas não é todo mundo que sabe falar daquela forma que te faz cair de tanto dar risada. Só ele(a) sabe fazer isso. Tem palavras criadas especialmente pra aquele momento em que você bate o dedinho na beirada do armário, ou quando você esta andando feliz da vida na rua e de repente pisa numa poça de lama enorme. E nesse mesmo grupo de palavras existem aquelas que você diz pra alguém sem pensar nas consequências. Aquelas que magoam mais do que daquela vez em que roubaram seu lanche na escolinha e você descobre que foi um amiguinho seu. Aquelas que tiram uma lágrima raivosa depois seguido de um nó na garganta que te deixa sem reação. E foi bem com uma dessas que me deparei hoje virando aquela rua. Eu sei que deveria ter passado pelo caminho de sempre mas acho que a reforma não tinha acabado ainda. Então passei por lá. E a vi toda raivosa praguejando até a última geração do planeta. E eu tive que passar bem do lado dela. E passei. E quando passei ela olhou bem nos meus olhos e eu desejei sair correndo naquele momento. Me senti tão mal que minhas pernas pouco me aguentavam. E foi assim que conseguir juntar o resto de forças que tinha sobrado e mudei de calçada, de rua, de bairro e de cidade tentando não cruzar mais com essa maldita. E agora eu ando com essa amargura no peito. Acho que é doença. Porém pode ser por causa daquele olhar. O olhar da palavra que me deixou sem chão(…)

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